Temer é o "piloto de um avião sem plano de voo" disse Renan Calheiros em entrevista a "Folha de S. Paulo.

O Globo
Ex-líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) considera que "ninguém aguenta mais o governo" e cogita o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como alternativa constitucional à "inevitável travessia" de governo. Em entrevista à "Folha de S. Paulo", publicada nesta segunda-feira, o senador frisou que Temer é o "piloto de um avião sem plano de voo", cujo "maior equívoco" foi defender "uma agenda unicamente do mercado".
O sentimento, na visão de Renan, é de que "o governo já foi". Ele vê Rodrigo Maia – alguém que lhe parece "um bom político" – como o "primeiro e decisivo passo que nós deveremos fazer". Opositor do correligionário presidente, o senador afirma que, independentemente de partidos, "quase todos apoiam uma saída porque a turbulência está insuportável".
"Num primeiro momento, foi alívio e alguma esperança. Aí acontece um desastre: o avião entra numa tempestade e um raio fora do radar atinge as duas asas. O avião fica sem asas e sem turbina, o comandante passa a navegar por instrumentos e quem tenta alertá-lo passa a ser considerado inconveniente. Ele continua com a mão no manche, pisa cada vez mais fundo, e os passageiros começam a perceber que o comandante não tem noção do que acontece fora da cabine e o que querem fazer é tirar de qualquer forma o piloto porque a turbulência está cada vez mais insuportável. Ninguém aguenta mais", metaforizou o peemedebista.
Na entrevista, Renan ressaltou que a administração Temer nasceu "questionável" do ponto de vista político. Para ele, a posse do vice não cumpriu o prometido de estabilizar a política e a economia depois da gestão petista. Em novas metáforas, Renan considerou que o presidente "sempre foi a ponta mais vistosa de um iceberg" e que as investigações implodiram a estrutura de gelo que ficava abaixo da linha d'água.
"Na hora que a parte debaixo se desintegra, a de cima naufraga. O governo nasceu com uma razão questionável do ponto de vista político, que era reanimar a economia e estabilizar a política. Mas a política nunca esteve tão caótica e a economia continua desfalecendo. O governo parece um filme de terror. As pessoas foram ver um entretenimento e estão saindo desesperadas com um filme pavoroso. Foram ver o Batman e o Charada dominou a cena", reforçou o senador.
Questionado se o parlamentar cassado Eduardo Cunha faria parte deste icerberg implodido, Renan destacou que o papel do ex-presidente da Câmara na política "foi deletério" — um político, segundo ele, que tinha uma visão "completamente distorcida" e que desembocou em abuso de poder e chantagem com atores econômicos. "Michel, que era o líder dessa facção, foi alertado em vários momentos", disparou o senador, que diz não temer a delação premiada de Cunha.


Renan Calheiros foi líder do partido na Câmara até 28 de junho. Ele afirmou que renunciou ao cargo porque "jamais seria um líder de aluguel". Na avaliação do alagoano, o PMDB se fragiliza com o estilo de Temer, que "às vezes lida com a legenda como se fosse uma imobiliária, como se pudesse ter dono". O senador ressalta que resolveu sair porque "nunca teve nem nunca terá senhorio".

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